Ilustração de um morro com ruínas de pedra, mirante e escadaria ao amanhecer, representando o roteiro histórico de Caxias, no Maranhão

O que fazer em Caxias MA: roteiro de 2 dias

Quem pergunta o que fazer em Caxias MA costuma descobrir uma cidade maior do que imaginava. Caxias tinha 156.973 habitantes no Censo 2022 do IBGE, fica na margem do Rio Itapecuru, a cerca de 360 km de São Luís e a pouco mais de 60 km de Teresina, e carrega um apelido dado em 1858: Princesa do Sertão Maranhense. Não é um destino de resort. É um destino de história, de água boa num lugar muito quente e de mesa farta, e dois dias bastam para ver o essencial sem correr.

Este roteiro foi montado para o visitante de primeira viagem e também para o morador que nunca subiu o morro da própria cidade. Ele separa o que é melhor de manhã, o que rende no fim da tarde e o que deve ficar para a noite, porque em Caxias o sol decide a agenda. Os fatos históricos vêm do IBGE e da Prefeitura de Caxias; horários e programações mudam, então confirme antes de sair de casa.

Antes de sair: calor, distâncias e a melhor época

O primeiro dado prático é o clima. A temperatura média anual de Caxias fica em torno de 27,6 °C, e o recorde registrado foi de 43,6 °C, em 13 de novembro de 2016. Chove cerca de 1.518 mm por ano. Na prática, isso significa três coisas para quem está montando o passeio:

  • Deixe os ambientes abertos para a manhã e para o fim de tarde. Subir o Morro do Alecrim às duas da tarde, em pleno sol, é a pior ideia possível.
  • Reserve o meio do dia para água e sombra, e é para isso que existe o Balneário Veneza, que aparece no segundo dia do roteiro.
  • Leve água, protetor solar e chapéu. Parece óbvio, mas é o que mais falta na mochila de quem chega de fora.

Quem vem de São Luís encara cerca de 360 km de estrada. Vindo de Teresina, a estrada é curta, o que faz de Caxias um bate-volta possível, embora dois dias deem muito mais conforto. Quem pretende combinar o roteiro com os festejos religiosos, o São João ou o Natal Iluminado precisa reservar hospedagem com antecedência, como explicamos mais abaixo.

Dia 1, manhã: Morro do Alecrim e a história da Balaiada

Comece cedo pelo lugar que explica por que a cidade se chama Caxias no mapa do Brasil. O Morro do Alecrim reúne as ruínas do quartel onde tropas portuguesas resistiram aos independentes em 1823 e, depois, aos revoltosos da Balaiada, a revolta popular que abalou o Maranhão a partir de 1838 e foi sufocada em terras caxienses em 1841. Segundo o IBGE, foi ali que Luís Alves de Lima e Silva, encarregado de pacificar a província, recebeu a notícia de que o Imperador lhe daria um título e escolheu ser Barão de Caxias. O título cresceu até Duque de Caxias, patrono do Exército brasileiro. O nome do morro vem do poema “O Morro do Alecrim”, de Gonçalves Dias, e o lugar já foi chamado de Morro das Tabocas.

Ilustração de um morro com ruínas de pedra, mirante e escadaria ao amanhecer, representando o roteiro histórico de Caxias, no Maranhão

Dentro do morro estão duas paradas obrigatórias:

  1. Memorial da Balaiada. Inaugurado em 26 de junho de 2004 e restaurado em 2014, funciona como museu-escola, com centro de documentação e um acervo de 356 peças arqueológicas: restos de armamento, balas de chumbo, botões e fivelas encontrados no próprio local. A Prefeitura indicava visitação de segunda a sexta, então não deixe o museu para o sábado sem checar. Reportagens sobre a cidade também avisam que a ladeira de acesso é íngreme; vá com calçado fechado e sem pressa.
  2. Mirante da Balaiada. Aberto em 14 de abril de 2018, o mirante fica ao lado do Memorial e tem área de lazer, jardim botânico, praça de alimentação, quiosques de artesanato, biblioteca e minizoológico, segundo a revista Riquezas de Caxias, da Prefeitura. É o melhor lugar para entender o desenho da cidade, com o Itapecuru separando o Centro da Trizidela, na margem esquerda.

Reserve duas horas para tudo. Quem gosta de fotografia deve aproveitar a luz da manhã, mais amena e sem a poeira do meio-dia.

Dia 1, tarde: Centro histórico, praças e igrejas

Desça o morro para almoçar e deixe o Centro para depois, quando o sol já perdeu força. O Centro de Caxias se resolve a pé, porque as principais praças e igrejas estão a poucas quadras umas das outras. Uma sugestão de sequência:

  • Praça Dias Carneiro, o Pantheon. Tem bustos de Gonçalves Dias, Coelho Neto, Vespasiano Ramos e do próprio Dias Carneiro, quatro nomes ligados à literatura e à vida pública da cidade. Ao lado fica o Centro de Cultura Acadêmico José Sarney, instalado no prédio da antiga Companhia União Têxtil Caxiense, fundada em 1889, um bom lembrete de que Caxias já foi cidade industrial.
  • Praça Gonçalves Dias. Construída na década de 1920, tem uma estátua em tamanho natural do poeta que nasceu na região e escreveu a “Canção do Exílio”. É o ponto de foto mais clássico do Centro.
  • Praça Dom Luís Marelim, a Praça da Chapada. Reinaugurada em 2017, tem fonte luminosa musical e playgrounds. Com mais de 2.300 avaliações no Google, é um dos endereços mais comentados da cidade.
  • Igrejas. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José, na Praça Cândido Mendes, foi a primeira igreja da margem direita do Itapecuru e é onde se assinou a adesão de Caxias à Independência. A Igreja de São Benedito, em frente à Praça Vespasiano Ramos, está ligada ao título de Princesa do Sertão Maranhense, recebido em 1858. A de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Praça Rui Barbosa, é de 1775. A Catedral de Nossa Senhora dos Remédios, na Praça Magalhães de Almeida, guarda um relógio de 1842. E a mais antiga, a de Nossa Senhora de Nazaré, de 1773, fica na Trizidela, do outro lado do rio.

Para uma visita mais proveitosa, entre nas igrejas fora do horário de missa, quando estão abertas mas silenciosas. E respeite as regras de cada templo: roupas discretas e fotos sem flash.

Para a noite do primeiro dia

Depois de um dia de caminhada, a noite pede mesa. Caxias tem 7 churrascarias, 16 pizzarias, 8 bares e petiscarias e 5 restaurantes no nosso catálogo, além de 15 açaiterias e sorveterias para fechar a noite no doce. Se a ideia é jantar sem pressa, veja a página de restaurantes em Caxias; para algo mais descontraído, vale conferir os bares em Caxias. Em qualquer caso, confirme horário e disponibilidade por telefone ou WhatsApp, que estão nas páginas de cada categoria.

Dia 2, manhã: Riacho do Ponte e o Roncador

O segundo dia é dedicado à água, e a tradição local manda começar pelo bairro Ponte. O Riacho do Ponte forma a Piscina do Ponte, urbanizada nos anos 1970, e o Roncador, uma bacia natural entre rochas onde, conta a tradição registrada pela Prefeitura, Gonçalves Dias tomava banho quando voltava à cidade. É um passeio simples, de gente da cidade, e rende boas fotos com a luz da manhã.

Algumas dicas que valem para qualquer banho de rio ou riacho:

  • Veja as condições do dia. Depois de chuva forte, o nível e a correnteza mudam.
  • Calçado com solado firme ajuda nas pedras molhadas.
  • Não deixe crianças sozinhas, mesmo onde a água parece rasa.
  • Leve o lixo de volta. O que torna o Roncador um lugar de memória é justamente ele ainda estar preservado.

Dia 2, meio-dia: Balneário Veneza e o pirão de parida

Para o almoço e a tarde, o destino é o Balneário Veneza, o programa mais famoso da cidade para quem quer escapar do calor. Ele fica às margens da MA-034, num braço do Itapecuru, com um lago artificial cercado de bares e restaurantes, e é um dos pontos de lazer mais movimentados nos fins de semana. Tem mais de 2.400 avaliações no Google e uma particularidade rara: fonte de água mineral sulfurosa e lama negra dentro de uma reserva florestal de cerca de 40 hectares, tombada pelo Decreto Estadual nº 11.681/1990, segundo a Prefeitura.

Ilustração de um lago de balneário com quiosques à sombra e pessoas se refrescando, como no Balneário Veneza, em Caxias (MA)

É nos bares e restaurantes da Veneza que se encontra o pirão de parida, prato que a Prefeitura apresenta como a iguaria mais típica de Caxias. Trata-se de um caldo de galinha caipira engrossado com farinha de mandioca, um prato de panela cheia, feito para ser dividido. A linguiça típica de Caxias, reconhecida como patrimônio gastronômico do Maranhão, também costuma aparecer nos cardápios.

Ilustração de mesa nordestina com caldo de galinha caipira, pirão, farofa e linguiça, inspirada na comida típica de Caxias (MA)

Se o seu dia for de sábado ou domingo, chegue cedo. O balneário lota, e mesa à sombra é o item mais disputado. Em dia útil o ambiente é mais calmo, o que ajuda quem prefere fotografar ou conversar.

Dia 2, fim de tarde: sorvete, café e a volta ao Centro

Termine o roteiro de maneira leve. A cidade tem 5 cafeterias no catálogo, incluindo uma boulangerie com bistrô no Cangalheiro, e 15 casas de açaí e sorvete, algumas delas na Avenida Senador Alexandre Costa. Se estiver na cidade num domingo, a Feirinha da Gente, criada em 2017 na Praça Vespasiano Ramos, reúne culinária caxiense, artesanato e produtos da agricultura familiar; em 2019, funcionava das 8h às 15h, então confirme o horário atual. Combinar a feira com o café da manhã é uma boa forma de abrir o segundo dia.

Para quem prefere um roteiro mais enxuto, o nosso guia de onde ir em Caxias reúne os mesmos pontos com os lugares para comer, beber e dormir numa só página.

Onde dormir em Caxias

Caxias tem 15 hotéis e pousadas no nosso catálogo, e a localização importa mais do que o preço. Três ficam na Avenida Senador Alexandre Costa, bem perto do Centro e do comércio, e outros três têm endereço na BR-316, mais práticos para quem chega de carro ou de ônibus e quer sair cedo. Para dois dias de roteiro a pé, escolher um endereço central economiza tempo. Para quem volta no dia seguinte para Teresina ou segue viagem pela BR-316, a beira da rodovia facilita. Veja a lista completa na página de hotéis e pousadas em Caxias e compare telefones e WhatsApp antes de reservar.

Festejos: quando a cidade fica mais cheia

O calendário religioso e cívico define a lotação da cidade. O festejo de São José, padroeiro, acontece em março; o de Santo Antônio, em junho, no Morro de Santo Antônio; o de São Benedito, em agosto; o de Nossa Senhora de Nazaré, em setembro; e o de Nossa Senhora dos Remédios, em outubro. Em 1º de agosto, a cidade comemora a adesão à Independência do Brasil, de 1823, data estampada na bandeira municipal. A Prefeitura também promove Carnaval, a encenação da Paixão de Cristo na Semana Santa, um São João com quadrilhas no Parque da Cidade e, desde 2017, o Natal Iluminado nas praças.

As datas e a programação mudam a cada ano. Nessas semanas, reserve o hotel com antecedência e escolha o restaurante antes de chegar.

Perguntas frequentes sobre o que fazer em Caxias

Quantos dias são necessários para conhecer Caxias?

Dois dias são suficientes para os principais pontos: o Morro do Alecrim, o Centro histórico, o Riacho do Ponte e o Balneário Veneza. Quem tem apenas um dia pode combinar o Morro do Alecrim pela manhã, o Centro à tarde e o jantar no Veneza ou numa churrascaria.

Qual é a melhor época para visitar Caxias?

Para evitar o calor mais intenso, o ideal é planejar as atividades ao ar livre para a manhã e o fim de tarde, em qualquer mês. Quem quer viver a cidade em festa deve conferir o calendário de festejos, com datas em março, junho, agosto, setembro e outubro.

O Memorial da Balaiada abre aos fins de semana?

A Prefeitura indicava visitação de segunda a sexta. Como os horários mudam, ligue ou consulte a Prefeitura antes de subir o morro.

Qual é a comida típica de Caxias?

O pirão de parida, caldo de galinha caipira engrossado com farinha de mandioca, apresentado pela Prefeitura como a iguaria mais típica da cidade e encontrado nos bares e restaurantes do Balneário Veneza. A linguiça típica caxiense é reconhecida como patrimônio gastronômico do Maranhão.

É possível visitar Caxias saindo de Teresina?

Sim. Caxias fica a pouco mais de 60 km de Teresina, o que torna o bate-volta possível, mas dois dias permitem fazer o roteiro com calma, incluindo o Veneza e o Centro.

Conclusão: um roteiro curto, com muito conteúdo

Saber o que fazer em Caxias MA é, no fundo, escolher entre três ritmos: a história do Morro do Alecrim e do Centro, a água do Riacho do Ponte e do Veneza, e a mesa, do pirão de parida às churrascarias. Em dois dias dá para provar os três. Use o roteiro como ponto de partida, confirme horários, e consulte o guia para encontrar telefone e WhatsApp de cada lugar para comer, beber e dormir.

Redação Achei Caxias

Escrito por Redação Achei Caxias

Equipe editorial do Achei Caxias, guia comercial de Caxias (MA). Reúne os comércios e serviços da cidade a partir das fichas públicas do Google Maps, confere endereço e categoria de cada empresa e escreve os textos de cada página com dados de fontes como IBGE e Prefeitura de Caxias.